Dr. Flávio Pita — Defesa Criminal
Dr. Flávio Pita
Advogado Criminalista • OAB/RJ 252.344
Rio de Janeiro
Defesa Criminal  ·  Rio de Janeiro

Defesa Estratégica em
Casos de Lei Maria
da Penha

É comum que investigações envolvendo a Lei Maria da Penha ocorram em um contexto de intenso conflito familiar.

Cada situação deve ser analisada individualmente, a partir das provas produzidas e das circunstâncias concretas do caso. A função da defesa é assegurar que esses direitos sejam efetivamente respeitados e que os fatos sejam apurados com imparcialidade, dentro dos limites estabelecidos pela lei.

Advogado criminalista  ·  OAB/RJ 252.344  ·  Rio de Janeiro

O contexto das investigações

Conflito familiar e investigação criminal: o que precisa ser compreendido.

Em muitos casos, a notícia-crime surge durante um processo de separação, uma disputa pela guarda dos filhos, discussões relacionadas ao direito de convivência ou conflitos envolvendo alimentos. Isso, por si só, não torna a acusação verdadeira ou falsa.

A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) representa um avanço importante na proteção da mulher em situação de vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, por se tratar de legislação de aplicação ampla, abrange situações de natureza e gravidade muito distintas entre si.

Também existem situações em que a defesa identifica inconsistências entre os fatos narrados e os elementos de prova disponíveis, circunstância que exige uma atuação técnica, cuidadosa e estratégica desde o início da investigação.

Independentemente da origem da acusação, toda pessoa submetida a uma investigação criminal tem direito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal. Esses direitos não dependem de julgamento prévio sobre a veracidade dos fatos narrados.

Garantias constitucionais

Os direitos que devem ser assegurados desde o início da investigação.

Ser investigado por um crime não equivale a ser culpado. A Constituição Federal e o Código de Processo Penal garantem ao investigado um conjunto de direitos que devem ser preservados em todas as fases do procedimento, desde o inquérito policial até o eventual julgamento.

§

Contraditório

O direito de conhecer todas as acusações e provas produzidas contra si e de se manifestar sobre elas de forma efetiva, com o auxílio de defesa técnica habilitada.

§

Ampla Defesa

O direito de produzir provas, arrolar testemunhas, apresentar documentos e construir uma versão técnica dos fatos, contestando o que for impreciso ou inconsistente na acusação.

§

Presunção de Inocência

Nenhuma pessoa pode ser tratada como culpada antes do trânsito em julgado de sentença penal condenatória. O ônus da prova cabe integralmente à acusação.

Como funciona a defesa

Atuação técnica e estratégica em cada fase do procedimento.

01

Análise do inquérito e das provas

O primeiro passo é compreender integralmente o que foi produzido durante a investigação: depoimentos, laudos, registros e demais elementos que compõem o conjunto probatório. Inconsistências identificadas nessa fase podem ser determinantes para a estratégia defensiva.

02

Acompanhamento das medidas protetivas

As medidas protetivas de urgência podem ser decretadas com base apenas na palavra da suposta vítima, sem contraditório imediato. O acompanhamento jurídico desde esse momento permite contestar medidas excessivas ou desprovidas de suporte fático.

03

Defesa na fase policial

Durante o inquérito policial, o investigado tem o direito de permanecer em silêncio e de ser assistido por advogado em qualquer ato. A orientação técnica nessa fase evita declarações que possam ser usadas de forma prejudicial na ação penal subsequente.

04

Atuação durante a ação penal

Caso a denúncia seja oferecida, a defesa atuará na produção de provas, inquirição de testemunhas, apresentação de alegações e eventuais recursos, com o objetivo de assegurar um julgamento justo e tecnicamente fundamentado.

05

Habeas corpus e recursos

Em situações que envolvam prisão em flagrante, prisão preventiva ou cumprimento de medidas protetivas que afetem desproporcionalmente o exercício de direitos fundamentais, a defesa pode atuar por meio de habeas corpus e outros instrumentos processuais cabíveis.

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Medidas protetivas de urgência

O que são, como funcionam e quando podem ser contestadas.

As medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha têm por finalidade proteger a suposta vítima enquanto o caso é investigado. Entre as mais comuns estão o afastamento do lar, a proibição de aproximação e de contato, e a suspensão da posse de armas.

Por serem decretadas em caráter de urgência, com base em cognição sumária, as medidas protetivas podem ser impostas antes que o investigado tenha a oportunidade de se manifestar. Isso não significa, porém, que elas sejam impassíveis de revisão.

Revisão judicial das medidas

É possível requerer ao juízo competente a revisão ou o levantamento de medidas protetivas que sejam desproporcionais, que não encontrem suporte fático nos elementos do inquérito ou que gerem prejuízo injustificado ao investigado e à família.

Impactos sobre guarda e convivência

Quando as medidas protetivas proíbem o contato com os filhos ou o acesso ao lar, os reflexos ultrapassam o campo penal e atingem diretamente as relações familiares. O acompanhamento jurídico integrado entre as esferas penal e de família é fundamental nesses casos.

Descumprimento e suas consequências

O descumprimento de medida protetiva é crime autônomo, tipificado pelo artigo 24-A da Lei Maria da Penha, e pode ensejar a decretação de prisão preventiva. Conhecer os limites exatos de cada medida imposta é indispensável para evitar novas complicações.

Retratação da vítima e seus limites

Nos crimes de lesão corporal no contexto doméstico, a ação penal é pública incondicionada, o que significa que o Ministério Público pode prosseguir com a acusação mesmo diante da retratação da suposta vítima. Esse é um aspecto frequentemente mal compreendido pelas partes.

Perguntas frequentes

O que as pessoas costumam perguntar sobre defesa em casos de Lei Maria da Penha.

Se a suposta vítima não quiser prosseguir com a acusação, o processo termina?
Depende do tipo de crime imputado. Nos crimes de lesão corporal dolosa praticados em contexto doméstico, a ação penal é pública incondicionada, o que significa que o Ministério Público pode ofertar a denúncia e prosseguir com a ação penal independentemente da vontade da vítima. Para crimes de ameaça, a ação penal é pública condicionada à representação, situação em que a retratação da vítima, feita em audiência perante o juiz, pode impedir o prosseguimento do processo.
O que acontece após a lavratura de um boletim de ocorrência?
Após o registro da ocorrência, a delegacia instaurará o inquérito policial e poderá solicitar ao juízo a imposição de medidas protetivas de urgência. O investigado poderá ser intimado a prestar depoimento. Em algumas situações, dependendo da natureza dos fatos narrados, poderá haver prisão em flagrante ou decretação de prisão preventiva. O acompanhamento por advogado desde esse momento é fundamental para que o investigado não tome decisões prejudiciais à sua própria defesa.
É possível contestar a medida protetiva que proíbe o acesso ao lar?
Sim. As medidas protetivas são passíveis de revisão judicial. É possível requerer ao juízo que as medidas sejam levantadas ou modificadas, especialmente quando há elementos que demonstrem ausência de risco concreto, desproporcionalidade das restrições impostas ou mudança nas circunstâncias que motivaram a concessão. Cada pedido deve ser fundamentado tecnicamente e acompanhado dos elementos de prova adequados.
O investigado pode ser preso preventivamente em casos de Lei Maria da Penha?
Sim. A Lei Maria da Penha permite a decretação de prisão preventiva para garantir a execução das medidas protetivas ou quando o caso apresentar os requisitos gerais previstos no Código de Processo Penal. O descumprimento de medida protetiva é uma das hipóteses mais comuns para a decretação da prisão preventiva nesses casos. O habeas corpus é o instrumento adequado para questionar a legalidade ou a proporcionalidade da prisão.
Existe alguma alternativa penal disponível nesses casos?
A Lei Maria da Penha proíbe expressamente a aplicação de penas de cesta básica ou prestação pecuniária como substituição às penas privativas de liberdade nos crimes por ela abrangidos. No entanto, outras medidas despenalizadoras podem ser analisadas dependendo das circunstâncias do caso, como a suspensão condicional do processo nos casos em que a pena mínima não exceda um ano, observadas as restrições específicas da lei.
A defesa pode produzir provas que contradigam a versão apresentada?
Sim. O direito à ampla defesa garante ao investigado e ao réu a possibilidade de produzir provas em seu favor, inclusive provas que contraditem o relato apresentado pela suposta vítima ou que demonstrem inconsistências na versão dos fatos. Isso pode incluir depoimentos de testemunhas, documentos, laudos periciais, registros de comunicação e outros elementos que contribuam para a apuração imparcial dos fatos.
O contexto de separação ou disputa de guarda pode ser relevante para a defesa?
Sim. O contexto em que a acusação surgiu é um elemento que pode ser considerado na análise técnica do caso, especialmente quando existem elementos objetivos que demonstrem coincidência temporal entre a notícia-crime e o início de litígios familiares. Isso não significa presumir que a acusação seja falsa, mas trata-se de um fator que deve ser considerado na avaliação do conjunto probatório pelo juízo.
Próximo passo

A defesa começa com uma análise técnica do caso.

A atuação em casos que envolvem a Lei Maria da Penha exige sensibilidade, rigor técnico e experiência em defesa criminal. O acompanhamento jurídico desde o início do procedimento é o que permite construir uma estratégia defensiva coerente com os fatos e com as provas disponíveis.

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